ANALÓGICA 2021
Exposições
Curvas Espaço-Tempo
6 a 12 de novembro de 2021
Rita de Sá e Isabel Dantas dos Reis
O que é a fotografia senão uma conjugação de espaço e tempo?
Nesta exposição, Rita de Sá e Isabel Dantas dos Reis exploram precisamente a forma como a fotografia intervém no tempo e como o tempo transforma a fotografia.
O trabalho de Isabel Dantas dos Reis recupera imagens captadas há muitos anos e transporta-as para um presente que, quando essas fotografias foram realizadas, pertencia ainda ao domínio do futuro. A sua prática artística tem investigado de forma consistente as relações entre fotografia, memória e arquivo, recorrendo tanto a processos digitais como analógicos.
Nesta série, parte de fotografias do casamento dos seus pais — um momento fundador da sua própria história — e intervém sobre essas imagens utilizando uma técnica de pintura que o seu pai desenvolveu durante a Guerra da Guiné. O encontro entre fotografia e pintura estabelece um diálogo entre memória pessoal e memória coletiva, cruzando diferentes tempos e diferentes histórias.
Já Rita de Sá trabalha igualmente a partir de fotografias analógicas antigas, mas centra a sua investigação nas marcas que o próprio tempo lhes imprimiu. As alterações provocadas pelos anos, pela humidade e pelas condições de conservação transformam as imagens originais em novos objectos visuais.
Ao assumir essas transformações como parte integrante da obra, a artista conduz-nos ao próprio corpo físico da fotografia e questiona a relação entre os materiais fotográficos, os sais de prata e a ação do tempo. Tal como quem observa nuvens e descobre novas formas, também estas imagens deixam de representar apenas aquilo que fotografaram para revelarem novas paisagens e novos significados.
Na Margem do Visível
6 de novembro a 9 de dezembro de 2021
Pedro Dantas dos Reis
Nascido em Lisboa, em 1969, Pedro Dantas dos Reis descobriu a fotografia no final da adolescência e nunca mais deixou de a acompanhar. Frequentou o Ar.Co na área da Fotografia e complementou a sua formação com fotógrafos internacionais como Greg Gorman, Arthur Meyerson e Joyce Tenneson. Coordenou ainda os projetos que trouxeram, pela primeira vez a Portugal, Steve McCurry e David Alan Harvey.
O fascínio pelas origens da fotografia levou-o a regressar às câmaras pinhole, um dos processos mais elementares de produção de imagem. Os longos tempos de exposição deixam de representar um instante para condensarem múltiplos momentos numa única fotografia.
Nesta abordagem, o fotógrafo define o lugar, o enquadramento e o momento da exposição, mas o resultado final permanece sempre parcialmente entregue ao tempo. A imagem nasce da intenção do autor, mas também da duração, da luz e da imprevisibilidade.
Num tempo dominado pela instantaneidade digital, Pedro Dantas dos Reis propõe um regresso à lentidão. As suas fotografias convocam o silêncio, a permanência e a contemplação, lembrando-nos que a fotografia não reproduz simplesmente o real: cria uma nova forma de o experimentar.
Cinco Anos de Quartos às Escuras
6 de novembro a 9 de dezembro de 2021
Coletivo 1/4 Escuro
O coletivo 1/4 Escuro nasceu da vontade de promover a fotografia analógica e dinamizar a comunidade fotográfica. Formado por Bruno Candeias, Gonçalo Matias, Luís Silvério, Pedro Freitas e Tiago Soares, está sediado no Espaço LX Jovem, onde desenvolve projetos autorais, oficinas e atividades de divulgação da fotografia tradicional.
Cinco anos após a sua criação, o coletivo apresenta uma exposição comemorativa que reúne obras de todos os seus membros.
Recorrendo a diferentes formatos, processos e técnicas fotográficas, cada autor revela a sua abordagem pessoal às áreas de investigação que tem vindo a desenvolver, evidenciando a diversidade criativa que caracteriza o coletivo e o universo da fotografia analógica.
Cinema
Frame by Frame Afghanistan
6 de novembro de 2021 · 18h00 · Cine-Teatro da Chamusca
Durante o regime talibã no Afeganistão, fotografar era considerado um crime. Após a queda do regime, em 2001, surgiu uma nova geração de fotojornalistas determinada a documentar um país em transformação.
Frame by Frame Afghanistan acompanha quatro fotógrafos afegãos que, enfrentando riscos diários, utilizam a fotografia como ferramenta de liberdade, testemunho e mudança. Combinando cinema direto, entrevistas e imagens de arquivo inéditas, o documentário revela o poder da fotografia na construção de uma memória coletiva e na procura da verdade.
Finding Vivian Maier
7 de novembro de 2021 · 18h30 · Cine-Teatro da Chamusca
Vivian Maier (1926–2009) trabalhou grande parte da sua vida como ama, enquanto fotografava discretamente as ruas de Nova Iorque e Chicago. Sem nunca procurar reconhecimento público, deixou um espólio de mais de 100 mil negativos, além de filmes, gravações e documentos que apenas seriam descobertos após a sua morte.
Finding Vivian Maier acompanha a surpreendente descoberta da sua obra e procura responder à pergunta que continua a fascinar o mundo da fotografia: quem foi realmente Vivian Maier?
O documentário revela não apenas uma das mais importantes fotógrafas de rua do século XX, mas também a complexa relação entre criação artística, anonimato e reconhecimento.
Conversas
A atribulada história do casamento da D. Luz com o Sr. Pixel
Apresentação do livro por José Soudo
6 de novembro de 2021 · Edifício São Francisco
José Soudo, curador, investigador independente em História da Fotografia, fotógrafo e docente do Ar.Co, apresentou o seu livro A atribulada história do casamento da D. Luz com o Sr. Pixel.
Escrito numa linguagem acessível e bem-humorada, o livro percorre a história da fotografia desde as suas origens, apresentando os seus protagonistas e princípios fundamentais de forma cativante, tanto para leitores mais jovens como para adultos.
Conservação de Fotografias e Negativos em Casa
Conversa por Luís Pavão
7 de novembro de 2021 · Edifício São Francisco
Reconhecido como uma das maiores referências nacionais na conservação de fotografia, Luís Pavão partilhou estratégias simples e práticas para preservar fotografias e negativos em ambiente doméstico.
A sessão demonstrou que a conservação de pequenas coleções não depende de equipamentos sofisticados nem de conhecimentos altamente especializados. Com alguns cuidados básicos é possível prolongar significativamente a vida das fotografias familiares e dos arquivos pessoais.
Atividades
Pintar com Luz
Oficina com Luís Pavão
Luís Pavão é licenciado em Engenharia Eletrotécnica e mestre em Fotografia pelo Rochester Institute of Technology (Master of Fine Arts in Photography). Desde 1979 trabalha como fotógrafo freelancer nas áreas da fotografia de arquitetura e etnográfica.
É fundador da LUPA, empresa especializada na conservação e digitalização de coleções fotográficas, e conservador das coleções de fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa. É autor dos livros Tabernas de Lisboa, Fotografias de Lisboa à Noite, Conservação de Coleções de Fotografia e Lisboa em Vésperas do Terceiro Milénio.
Nesta conversa vem mostrar que a preservação de uma coleção fotográfica não é uma tarefa diabólica, reservada apenas a especialistas, nem exige equipamento sofisticado, verbas astronómicas ou a ajuda de peritos internacionais. Preservar uma coleção de pequena ou média dimensão está ao alcance de instituições e particulares. Há muito que podemos fazer para conservar as nossas fotografias e arquivos familiares. Venha descobrir como, com um dos maiores especialistas portugueses na área da conservação fotográfica.
Fotografar a Castiça Vila da Chamusca
Fotografar a Castiça Vila da Chamusca
Venha conhecer connosco a pitoresca vila da Chamusca num passeio fotográfico integrado no Analógica – Festival de Fotografia.
Percorra as ruas da vila, descubra as suas paisagens e a relação privilegiada com o rio Tejo, enquanto recebe dicas de fotografia e aprende a tirar o melhor partido da sua máquina fotográfica analógica.
Se não possuir uma câmara analógica, entre em contacto connosco para que lhe possamos disponibilizar uma. Caso necessite de película, poderá adquiri-la durante o festival.
O passeio tem início às 14h00, junto ao Edifício dos Paços do Concelho, e uma duração aproximada de duas horas.
Positivo Direto
Positivo Direto é uma técnica fotográfica em câmara que permite obter uma imagem final sem a existência de um negativo fotográfico.
Depois de exposto, o papel passa pelos banhos de revelação, sem necessidade de câmara escura ou de luzes vermelhas difusas, e, em cerca de dez minutos, a imagem surge diante dos nossos olhos.
Os resultados são físicos, pessoais e únicos. Não são precisos computadores nem câmaras fotográficas. Basta uma caixa com um pequeno furo. O resto faz-se com criatividade, curiosidade e improviso.
A magia repete-se a cada imagem que emerge das folhas brancas.
Com este mote, propõe-se ao público participar como modelo nesta pesquisa contínua e perseverante de um dos membros do coletivo 1/4 Escuro.
